Dinâmica do Reino

Fundamentos do Reino - A soberania de Deus
Gênesis 1.1. O ponto de partida necessário no estudo do tema "o Reino de Deus" é o primeiro versículo da Bíblia. Aqui nós encontramos o Soberano de todo o Universo, cujo domínio, reino, e regência são descritos logo no início. 1) O seu domínio (ou alcance do seu governo) é transcendente; isto é, ele não somente inclui todo universo físico, mas o excede. Ele existia antes de toda a criação, ele estende-se para além da mesma e, pelo fato de tê-la gerado, ele abarca tudo o que existe. 2) O seu Reino ( ou o poder com o qual ele governa) é exercido pela sua vontade, sua palavra, e suas obras. Pela sua própria vontade, ele, de forma criativa, decide e estabelece desígnios; pela sua própria palavra, ele fala e a criação passa a existir; e pelas suas próprias obras, o seu Espírito demonstra o seu poder ilimitado. 3) A sua Regência (ou autoridade para governar) está na sua preexistência e santidade. Ele está lá antes da criação, "no principio". Assim, como o seu Criador, ele merece ser o seu Soberano. A sua intenção benevolente ao criar coisas "boas" revela a sua natureza santa (isto é, completa e perfeita), bem como o seu direito moral de ser Rei da criação. Todo o poder e autoridade do Reino emanam dele.

O Sangue - Deus, o autor da aliança
Gênesis 1.3-5. Desde o inicio, Deus é revelado como alguém que entra em aliança. Jeremias referiu-se à atividade de Deus na criação como atos da aliança (Jr33. 20), ao falar do “concerto do dia” e do “concerto da noite”. Desta forma, o caráter imutável da natureza de Deus é enfatizado na medida em que o seu relacionamento com toda a criação é descrito como um vínculo imutável sob a sua administração soberana.

Ordem Familiar - Deus criou o ser humano
(macho/fêmea) à sua própria imagem

Gênesis 1.26-28. Estes versículos introduzem a expressão que é a pedra fundamental da compreensão bíblica do ser humano: imagem de Deus. A imagem de Deus é apresentada, antes e acima de tudo, em relação a um conceito social ou comunitário de Deus único. “E disse Deus [singular]: façamos [plural] o homem à nossa [plural] imagem.” Muitos estudiosos interpretam este uso tanto do singular como do plural como uma alusão à Trindade: um Deus, e mesmo assim uma comunidade de Pessoas.
Dando seqüência, Deus então cria o ser humano à sua própria imagem. Neste ponto de partida extremamente importante, a Escritura enfatiza um aspecto particular da natureza humana, ou seja, aquilo que corresponde ao aspecto social ou comunitário da natureza de Deus: Deus cria o seu humano como homem e mulher – não um individuo solitário, porem duas pessoas. E mesmo assim, quando continuamos a leitura, nós descobrimos que os dois são, no entanto, “um” (ver 2.24).
A “comunidade” que reflete a imagem de Deus é uma comunidade especial: a comunidade de um homem e uma mulher. Quando Deus escolheu criar o ser humano à sua própria imagem, ele criou um casamento, uma família. A comunidade da família é um reflexo da comunidade em Deus. A sua identidade, vida e poder procedem de Deus.

Fundamentos do Reino - O “domínio” delegado ao ser humano
Gênesis 1.26-28; 2.16-17. Ao criar o ser humano, o Soberano do universo elege delegar ao ser humano domínio sobre toda a terra (v28). O poder e autoridade do ser humano para o exercício deste governo têm a sua origem no desejo de Deus de fazer o homem à sua imagem e semelhança. A habilidade do ser humano para manter o seu papel como governador delegado da terra repousará na sua obediência contínua ao governo de Deus como Rei de tudo. O seu poder para reinar na vida apenas irá até onde vai a sua fidelidade em obedecer à lei de Deus. Ver também 1Cr 29.10-16.

Valor Humano - O valor intrínseco do ser humano
Gênesis 1.26-28. O ser humano é distinto do restante da criação.  O Conselho Divino e Triúno determinou que o ser humano deveria ter a imagem e semelhança de Deus. O homem é um ser espiritual que não é apenas corpo, mas também alma e espírito. Ele é um ser moral cuja inteligência, percepção, e autodeterminação excedem em muito os de qualquer outro ser terreno.
Estas propriedades ou características possuídas pela humanidade e a sua proeminência na ordem da criação implicam no valor intrínseco, não somente da família da humanidade, mas também de cada individuo humano.
Capacidade e habilidade constituem responsabilidade. Nós nunca deveríamos estar felizes em viver num nível de existência inferior àquele em que Deus tomou possível que nós vivêssemos. Nós devemos lutar para ser o melhor que podemos ser alcançar os níveis mais altos que pudermos atingir. Fazer menos é ser servo infiel da vida que nos foi concedida. Ver Sl 8.4-5; 139.13-14.

Fundamentos do Reino - Antes da queda
Gênesis 1.31. A ordem original do meio ambiente do ser humano na terra deve ser distinguida do que ele veio a tornar-se após o impacto da queda do homem, a maldição e o posterior dilúvio (Is 45.18; Rm 8.20; 2Pe 3.4-7). A desarmonia agrícola, zoológica, geológica e meteorológica à qual a criação ficou sujeita não deve ser atribuída a Deus. A vontade perfeita de Deus, como o Rei criador do universo, não se manifesta na presença da morte, doença, discórdia e desastre, assim como não está presente no pecado humano. O nosso mundo atual não reflete a ordem do Reino que Deus originalmente previa para o bem-estar do ser humano na face da terra, nem reflete o Reino de Deus na forma como ele será, em ultima analise, experimentado neste planeta. Ao compreendermos isto, devemos ser cautelosos em não atribuir a “vontade de Deus” ou aos “ato de Deus” aquelas características do nosso mundo que foram o resultado do colapso da ordem original de Deus em virtude da queda do ser humano.

Vinda do Messias - A primeira proclamação do evangelho
Gênesis 3.15. Este versículo contém a primeira proclamação do evangelho. Toda a riqueza, a graça, o sofrimento e a glória da obra redentora de Deus em favor do ser humano aqui estão em miniatura. Deus promete que o Redentor virá da semente da mulher; ele será completamente humano, porém divinamente gerado. “A antiga serpente, chamada o diabo” estaria em guerra com a semente (ver Ap 12) e iria feri-la. Mas mesmo que a serpente atingisse o seu calcanhar, o seu pé esmagaria a cabeça da serpente. Esta escritura cumpriu-se com a vida e morte de Cristo. Tendo sido divinamente gerado e sendo, também, um ser humano completo, pela sua morte e ressurreição ele venceu e expôs publicamente os poderes do inferno (Cl 2.15). Esta primeira promessa messiânica é uma das afirmações mais sucintas que se pode achar no evangelho.

O Valor Humano - O papel decisivo do ser humano
nas questões referentes à Terra

Gênesis 3.17. Da perspectiva do papel estratégico do ser humano, nós devemos assumir que ele tem um valor maior do que qualquer outra coisa na face desta terra. Nenhuma outra forma de vida terrena exerce um tal papel cósmico como a raça humana. Baseado nas ações dos homens, o mundo literalmente permanece ou cai. Apenas o ser humano tem o poder de esgotar os recursos da terra e poluir sua atmosfera. O pecado de um homem, Adão, corrompeu o mundo. A contínua pecaminosidade da raça humana causou o dilúvio (6.12-13). Em contraste, a obediência de um homem, Jesus Cristo, trouxe justificação e retidão para muitos (Rm 5.18-18). Se os homens redimidos devem andar nesta justificação e retidão, não poderiam eles fazer com o mundo florescesse? Deus deseja revelar a sua verdade e beleza no mundo somente através da humanidade redimida. Cada crente tem uma importância estratégica na sua própria esfera. Ele ou ela devem lutar para maximizar o impacto do bem e encorajar outros a fazer o mesmo.


O Sangue - O sangue, a cobertura
Gênesis 3.21. O amor pactual de Deus exigiu que animais inocentes fossem sacrificados a fim de que se providenciasse vestimentas de pele como cobertura para Adão e Eva. Esta antecipação da expiação substitutiva aponta para a necessidade do julgamento sobre os inocentes a fim de providenciar proteção para o culpado. Adão e Eva tentaram em vão cobrir-se a si mesmos através dos seus próprios esforços ao coserem folhas da figueira. No entanto, a ordem de Deus providenciou cobertura por meio de um sacrifício. Sob o novo concerto, exige-se de nós que sejamos revestidos de Cristo, e não com as nossas próprias boas obras (Gl 3.27).


Restauração – Restauração “no princípio” 
Gênesis 3.21. os capítulos 1 – 3 revelam as formas divinas de restauração “no principio”. O conceito completo do “Espírito Santo e a Restauração” é desenvolvido no artigo abaixo:


O Espírito Santo e a Restauração – Restauração “no principio” 
O inicio do tema bíblico da restauração é encontrado nos primórdio de todas as coisas – no Livro de Gênesis. Deus criou o homem à sua própria imagem – mecho e fêmea. O homem desfrutou da imagem de Deus, da intimidade de Deus e de uma comunhão inteira com Deus.
No entanto, o homem escolheu comer da arvore do conhecimento do bem e do mal. Por assim fazer, ele decidiu tomar sua vida em suas próprias mãos. Ao invés de viver pela sabedoria, justiça e pelos recursos de Deus, ele viveria a partir dos seus limitados recursos – fazendo as coisas acontecerem do seu modo.
Com aquela trágica decisão, o ser humano perdeu sua imagem de Deus (isto é, santidade), bem como sua intimidade e sua comunhão com o Senhor, seu criador. Mas o trabalho da restauração de Deus começou imediatamente. Enquanto o homem, nas sua própria consciência, tentou trabalhar com suas próprias mãos para fazer uma vestimenta a fim de cobrir sua nudez, Deus supriu essa necessidade usando a pele de um animal. Isso claramente revelou o plano divino de redenção e restauração d homem caído. Aquele primeiro sacrifício, providenciando roupas, apontava para o grande sacrifício do Cordeiro de Deus. – o próprio Jesus.

Fundamentos do Reino - Impacto da queda
Gênesis 3.16-24. Pela desobediência aos termos do seu governo, o homem “cai”, experimentando assim a perda do seu “domínio” (ver 22-23). Tudo o que se acha no seu domínio delegado (a terra) passa a estar sob a maldição,assim como o seu relacionamento com Deus, a principal fonte do seu poder para governar, é interrompida (ver 17-18). Desta forma, o homem perde o poder da “vida”, essencial ao governo do Reino de Deus (ver 19,22). Alem da tragédia da queda do ser humano, dois outro fatos se desdobram. Primeiro, pela sua desobediência a Deus e submissão às sugestões da serpente, o governo do ser humano foi perdido para a serpente. Ap 12.9 constata que o espírito que usou a forma da serpente era o próprio Satanás. O domínio originalmente delegado ao ser humano agora cai diante de Satanás, o qual torna-se o administrador desta jurisdição que agora se encontra sob a maldição. A “semente” da serpente e a “cabeça” indicam uma linha contínua (semente) de descendentes maus que ampliarão o governo de Satanás (cabeça) (ver 15). No entanto, um segundo fato oferece esperança. Em meio à tragédia desta seqüência de eventos, Deus começa a mover-se de forma redentora, e um plano para a recuperação do estado perdido do ser humano é prometido (ver 15) e tem o seu inicio com o primeiro sacrifício (ver 21).

Anjos - Os querubins
Gênesis 3.24. Os querubins são seres criados e designados para guardar o trono de Deus (Sl 99.1) bem como a arca do Testemunho e o propiciatório (Êx 25.18-22; 37.7-9). Querubins (plural de querub) guardavam a Árvore da Vida para prevenir que o homem comesse e, portanto, viesse viver para sempre. Assim, contrario à crença popular, mais do que um anjo guardava a entrada para o Éden. A mais completa descrição dos querubins se encontra em Ez 10, onde eles estão intimamente relacionados com a glória de Deus e participam da sua presença e retirada, movendo-se conforme o Todo-poderoso os dirigia.

Amor Fraternal - Responsabilidade de uns pelos outros
Gênesis 4.9. O tema do amor fraterno ocorre muito cedo na Escritura; desde o inicio, fica claro que Deus coloca alta prioridade na maneira como irmãos se relacionam. Nesta passagem, a questão de responsabilidade de um pelo outro surge pela primeira vez. Caim pergunta: ”Sou eu guardador do meu irmão?” O termo usado para “guardador” (hebr. shamar) significa “guardar, proteger, prestar atenção, ou considerar”. Somos nós responsáveis pelos outros? “Sem sombra de dúvida”, é a resposta de Deus. Nós não somente somos guardador do nosso irmão, como também somos responsáveis pelo nosso tratamento e pela nossa maneira de relaciona-se com os nossos irmãos (de sangue e espirituais).
Em virtude do pecado de Caim contra o seu irmão, Deus o amaldiçoa em toda a terra, retira a sua habilidade para o cultivo da terra e o sentencia a uma vida como fugitivo e errante (ver 12). Isto indica claramente que a falta de amor fraterno destina a pessoa à esterilidade e ausência de propósito na vida.

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